Para muita gente, o simples pensamento de uma agulha já provoca suor frio, tontura e vontade de adiar aquele exame de rotina. A fobia de agulhas é mais comum do que parece e, em muitos casos, afasta pacientes dos laboratórios — atrasando diagnósticos e o acompanhamento de doenças que exigem monitoramento constante.
Essa realidade pode estar prestes a mudar. A Anvisa acaba de aprovar no Brasil o Tasso, um dispositivo que coleta sangue sem as agulhas convencionais e promete transformar uma das experiências mais temidas da medicina em algo simples, rápido e quase indolor.
Como funciona a coleta sem picada
O princípio é surpreendentemente simples. O aparelho é apenas encostado na pele e, com um leve acionamento, retira amostras de sangue capilar de forma quase indolor — sem o desconforto da punção venosa tradicional.
O grande diferencial está na autonomia que ele oferece: o Tasso permite a autocoleta remota, ou seja, o próprio paciente pode coletar sua amostra em qualquer lugar e a qualquer hora, seja em casa, no trabalho ou em regiões distantes de um laboratório.

Dois modelos para diferentes necessidades
No Brasil, a distribuição é feita pela empresa Allcrom, que oferece duas versões do dispositivo, pensadas para públicos distintos:
Tasso+
Permite a coleta de até 500 mcL de sangue e é indicado para uso adulto, a partir dos 18 anos. É a opção voltada a exames que exigem maior volume de amostra.
Tasso Mini
Coleta até 200 mcL e tem uma liberação bem mais ampla: pode ser usado a partir dos 6 meses de idade, ampliando o acesso da tecnologia inclusive ao público pediátrico.
Compatibilidade e versatilidade
Além de práticos, os dispositivos são de uso único, o que reforça a segurança e a higiene do procedimento. Eles são compatíveis com os principais tipos de tubos utilizados em laboratório — EDTA, Heparina, Gel e Seco —, o que amplia bastante o leque de exames possíveis.
A tecnologia também suporta análises bioquímicas e a coleta precisa por Dry Blood (Spot DBS), método de sangue seco cada vez mais valorizado por sua praticidade de transporte e armazenamento.
Um impacto que vai além da comodidade
Mais do que uma conveniência, o Tasso representa um passo importante na humanização da experiência do paciente. Ao eliminar a agulha convencional, reduz o medo, a ansiedade e o desconforto que afastam tantas pessoas dos exames.
Há ainda ganhos concretos de segurança: a tecnologia reduz os riscos ligados ao uso de seringas, como acidentes com material perfurocortante. E, ao permitir a coleta em casa, facilita o acompanhamento de doenças crônicas e fortalece programas de saúde pública, sobretudo em regiões com acesso limitado à rede laboratorial.
Um passo para democratizar os exames
Ao figurar entre os primeiros países da América Latina a liberar a tecnologia, o Brasil dá um passo relevante rumo à democratização e à facilitação do acesso a exames de rotina.
A promessa é clara: menos medo, mais adesão e um cuidado com a saúde que finalmente chega até onde o paciente estiver. Se o “fim das agulhas” ainda é um exagero, o começo de uma nova era na coleta de sangue já é realidade.


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